Sempre achei que o nome indicia não sei que
misteriosíssima verdade pessoal. Não foi por acaso, nem por arbítrio materno ou
paterno, que Goethe se chamou Goethe e Rimbaud foi Rimbaud e Balzac um senhor
Balzac. Outro exemplo concreto: Sarah Bernhardt. Reparem no som. Uma pessoa que
chama Sarah Bernhardt já está predisposta à apoteose e poder ser tudo, menos
banal. Dependendo do nome que receba, a pessoa assumirá ou a sua glória ou a
sua vergonha. Qualquer nome insinua um vaticínio. Quando batizaram William Shakespeare,
o padre poderia ter lhe perguntado: Como vão tuas Obras Completas? No simples
William Shakespeare estava implícita a música verbal do seu teatro. Todo o
destino de alguém está no seu cartão de visitas.