Sempre achei que o nome indicia não sei que
misteriosíssima verdade pessoal. Não foi por acaso, nem por arbítrio materno ou
paterno, que Goethe se chamou Goethe e Rimbaud foi Rimbaud e Balzac um senhor
Balzac. Outro exemplo concreto: Sarah Bernhardt. Reparem no som. Uma pessoa que
chama Sarah Bernhardt já está predisposta à apoteose e poder ser tudo, menos
banal. Dependendo do nome que receba, a pessoa assumirá ou a sua glória ou a
sua vergonha. Qualquer nome insinua um vaticínio. Quando batizaram William Shakespeare,
o padre poderia ter lhe perguntado: Como vão tuas Obras Completas? No simples
William Shakespeare estava implícita a música verbal do seu teatro. Todo o
destino de alguém está no seu cartão de visitas.
O nome explica uma nítida predestinação e influi muito para o êxito ou para o infortúnio. Se Napoleão fosse Tonico seria talvez menos napoleônico e não teria tido uma consagração napoleônica. Dirão os idiotas da objetividades que eu estou valorizando o irrelevante, o secundário, e que essa intrínseca relação entre o nome e o destino de cada um de nós parece arbitrária e delirante. Não importa. Fiz esta pequena introdução tão somente para chegar ao nome de um amigo: Cláudio César Temóteo Galvino. Não é impunimente que alguém se chama assim. Esse nome de imperador romano faz supor uma figura hierática, inescrutável e taciturna que aguarda a todo momento a execução solene do hino nacional. No entanto, meu amigo é um pobre ser crispado de humanidade, como qualquer um de nós, perplexo, frágil, dilacerado. Sua vida tem sido um esforço braçal só comparável ao que faz um remador de Bem-Hur. E por quê? Eu explico: porque não quis cumprir o destino heróico que seu nome lhe reservava. Rebelou-se contra o majestoso Cláudio César Temóteo Galvino e preferiu adotar o nome pelo qual uma suposta amiga, por um desses acasos cruéis, passou a trata-lo: Cláudio Perebo. Convenhamos. É admissível que um sujeito se mate por amor, por desemprego ou até por tédio mas é inaceitável a tragicidade do nosso Cláudio que, sendo um espécie de Brutus de si mesmo, matou César por causa de uma obtusa amizade. Ao praticar esse gesto suicida, ele foi ao encontro do seu próprio martírio e, mesmo tendo por batismo um nome imperial, transformou-se em um funcionário que faz do livro de ponto a sua Bíblia. E o que é pior: parece um miserável satisfeitíssimo com a própria miséria, como um narciso deslumbrado com as próprias chagas. Ora, ora. O ser humano é o único que pode se falsificar. Um tigre há de ser tigre eternamente; um leão há de preservar, até morrer, o seu nobilíssimo rugido; o sapo nasce sapo e como tal envelhece e morre; um marreco não vira um elefante, mas o Cláudio, deixando de ser César Temóteo Galvino, se falsificou. Poderia perfeitamente, com a majestade do seu nome primordial, ofuscar a plebe rude, ignara e piolhenta e desfilar pelas ruas com uma coroa de madrepérolas na cabeça e, por sobre o dorso apolíneo, ostentar um manto púrpura, bordado por fios de ouro maciço. À sua passagem, todos os mortais haveriam de querer toca-lo, como quem espera tocar as imagens sacras, em pura contrição. Mas a sua modéstia absoluta, absolutíssima, o fez abdicar da autoridade dinástica contido no nome Cláudio César Temóteo Galvino para ser apenas Perebo, denominação que logo nos remete à idéia de um mendigo roto, imundo, desses que andam cambaleantes com o corpo todo coberto de úlceras e que têm na ferido da perna uma gangrena da cor de orquídea. Com seu nome de berço, pertenceria à genealogia dos césares e pisaria o mármore de palácios nababescos, em cujas paredes se amontoariam quadros de Picasso, Goya, Monet e Gauguin. No entanto, por uma opção franciscana, ele se contenta, de forma radiante, em ser um escravo consentido, um suburbano vassalo, um obscuro pé-rapado que todas as manhãs ao acordar tem de entrar na fila do banheiro coletivo. Se tivesse conservado a pompa inerente ao seu nome histórico, viveria num labirinto de tapetes e espelhos, em meio a uma grandiosidade miguelangelesca, e teria, ao seu dispor, uma carruagem esplendorosa, puxada por quatro cavalos de plumas negras. Porém, destituído de toda e qualquer ambição, o máximo de onipotência que ele consegue é, com uma euforia absurda e terrível, andar de bicicleta. Para a sua autoflagelação, tomar um ônibus e viajar em pé, pendurado numa argola, seria um luxo perdulário. Por isso é que, quando não pode, por algum motivo, pedalar, dispõe-se a fazer caminhadas homéricas, com um par de sandálias severas e tristes, a exibir toda a fauna, toda a flora dos seus calos esplêndidos. Mesmo com um calor homicida, em pleno meio dia, sob um sol de rachar catedrais, um sol de derreter os obeliscos, ele se prontifica a caminhar, a caminhar, com se sempre tivesse um compromisso inadiável ou como se cumprisse uma aprazível penitência. Quem se dispuser a espera-lo à porta da biblioteca onde ele trabalha poderá surpreende-lo ainda ofegante, com a testa alagada de suor, um suor grosso, como óleo, uma espécie de gosma, de espuma elástica como o suor dos cavalos cansados. E o mais inacreditável é que, mesmo assim, exangue, de olho rútilo e lábio trêmulo, suando torrencialmente após ter percorrido um caminho quase interminável, ele é capaz de dispensar o balão de oxigênio e de estufar o peito para se dedicar ao trabalho com a voracidade de um Drácula. Sim, sua disposição para lidar com os livros que cataloga e classifica não sugere outra coisa senão a obsessão de um vampiro por veias protuberantes e efervescentes de sangue. Qualquer espécie de trabalho em Biblioteconomia desperta nele uma adesão imediata, taxativa. Com os acervos bibliográficos sua relação é aconchegante e, eu diria mesmo, voluptuosa. Para ele, fichários e catálogos funcionam como energéticos excitantes ou insuperáveis afrodisíacos. O simples fato de poder manuseá-los provoca-lhe uma salivação intensa. Sempre que eu o vejo, de cara lasciva e astuta, molhar de saliva o dedo indicador para passar as páginas de um livro tenho a insofismável impressão de que ele faz, com requinte e deleite, um leve toque ginecológico. Entretanto, terminado o expediente na biblioteca, evapora-se toda a sua volúpia e ele volta às suas cavas depressões, perdendo toda a fé em si mesmo, como se padecesse das mais hediondas humilhações. Abrem-se, então, no seu coração imensas e lívidas sibérias, ele se torna um ser infeliz, vazio, sem voluptuosidade, um soturno pobre-diabo marcado pelas frustações. Tranca-se em casa a sete chaves e ao redor instala um deserto. Não quer ver ninguém, não quer ser visto, não que ouvir nem ser ouvido. Fica invisível, inaudível, espectral. Desaparece como se jamais tivesse existido. Chega até a ser meio alucinatório. Se, por exemplo, um amigo lhe telefona, ele atende mas logo se apressa em informar: eu não estou. E desliga. Eu, sinceramente, não vejo nesta atitude nenhuma má-fé, nenhum cinismo ou grosseiria. Não, nunca. É que, em crise, ele mesmo passa a acreditar na sua ausência, ou seja, ele próprio se convence de que não existe. Sua ausência tem, portanto, a densidade da morte. Alguém poderá dizer: é natural que ele, sendo ainda jovem, seja também problemático. Concordo. Se um jovem não é problemático, estejamos certos: trata-se de um débil mental que deve ser amarrado num pé de mesa. Temos de dar graças a Deus que a nossa juventude tenha uma angústia ou uma tensão dionisíaca, sei lá, mas nem tanto, nem tanto. O problema é que o Cláudio faz do seu drama um hábito. E o cidadão que padece todos os dias, acaba se afeiçoando ao próprio martírio ou mais do que isso: o martírio torna-se insubstituível como um vício funesto. Os seus amigos procuram uma explicação para essa sua sagrada e inalienável necessidade de sofrer. Alguns acreditam que nessas ocasiões ele chora lágrimas de esguicho porque não pode passar um noite sem ter uma paixão avassaladora. Outros imaginam que na solidão, incomunicável, ele se disponha a evocar o passado na vã tentativa de fazer com que a memória potencialize todas as suas experiências de vida. Pressupõem que no seu exílio voluntário ele mergulhe em sua infância de menino triste que perdeu a mãe e sofreu na carne a dor de, mesmo na orfandade, continuar vivendo. Eu, entretanto, não creio que a sua mortificação advenha de um desses movimentos proustianos, de um desses processos regressivos que fazem emergir figuras espectrais das cavernas da alma. Para mim, ele tem esses rompantes de uma melancolia insuportável e sinistra quando adquire a salubérrrima consciência de que Perebo é um falso nome, que nada tem haver com a sua identidade profunda. Seu sofrimento, então, se agiganta e a culpa o domina por ele saber que, se prefere ser chamado assim, por esse nome de pobre nato e hereditário, é porque a sua pobreza é vocacional e irremediável. Eu, se pudesse, o faria entender que já existe no Brasil uma satisfatória abundância numérica de pobres. Não precisamos de mais um. O que interesssa ao Brasil, inversamente, é a multiplicação dos ricos. E o nosso Cláudio tem, desde a pia bastismal, essa predestinação para ser, na pior da hipóteses, um soberano absolutista, com um harém de trinta e cinco odaliscas, a desfrutar do esplendor das mil e uma noites. O sujeito que recebe, de graça, o nome de Cláudio César Temóteo Galvino não nasceu para ser súdito mas sim para exibir luminosas medalhas no peito e ter na mão o centro de um rei shakespereano. Se insiste em ser um mísero vassalo é por uma intrínseca vocação. Porém, no dia em que ele entender que essa vocação pode não ser inexorável e resolver assumir, de uma vez por todas, a premonição heráldica do seu nome, haverá de subitamente ressuscitar como um lázaro da miséria para reencontrar-se consigo mesmo e com o seu inefável e prodigioso destino.
O nome explica uma nítida predestinação e influi muito para o êxito ou para o infortúnio. Se Napoleão fosse Tonico seria talvez menos napoleônico e não teria tido uma consagração napoleônica. Dirão os idiotas da objetividades que eu estou valorizando o irrelevante, o secundário, e que essa intrínseca relação entre o nome e o destino de cada um de nós parece arbitrária e delirante. Não importa. Fiz esta pequena introdução tão somente para chegar ao nome de um amigo: Cláudio César Temóteo Galvino. Não é impunimente que alguém se chama assim. Esse nome de imperador romano faz supor uma figura hierática, inescrutável e taciturna que aguarda a todo momento a execução solene do hino nacional. No entanto, meu amigo é um pobre ser crispado de humanidade, como qualquer um de nós, perplexo, frágil, dilacerado. Sua vida tem sido um esforço braçal só comparável ao que faz um remador de Bem-Hur. E por quê? Eu explico: porque não quis cumprir o destino heróico que seu nome lhe reservava. Rebelou-se contra o majestoso Cláudio César Temóteo Galvino e preferiu adotar o nome pelo qual uma suposta amiga, por um desses acasos cruéis, passou a trata-lo: Cláudio Perebo. Convenhamos. É admissível que um sujeito se mate por amor, por desemprego ou até por tédio mas é inaceitável a tragicidade do nosso Cláudio que, sendo um espécie de Brutus de si mesmo, matou César por causa de uma obtusa amizade. Ao praticar esse gesto suicida, ele foi ao encontro do seu próprio martírio e, mesmo tendo por batismo um nome imperial, transformou-se em um funcionário que faz do livro de ponto a sua Bíblia. E o que é pior: parece um miserável satisfeitíssimo com a própria miséria, como um narciso deslumbrado com as próprias chagas. Ora, ora. O ser humano é o único que pode se falsificar. Um tigre há de ser tigre eternamente; um leão há de preservar, até morrer, o seu nobilíssimo rugido; o sapo nasce sapo e como tal envelhece e morre; um marreco não vira um elefante, mas o Cláudio, deixando de ser César Temóteo Galvino, se falsificou. Poderia perfeitamente, com a majestade do seu nome primordial, ofuscar a plebe rude, ignara e piolhenta e desfilar pelas ruas com uma coroa de madrepérolas na cabeça e, por sobre o dorso apolíneo, ostentar um manto púrpura, bordado por fios de ouro maciço. À sua passagem, todos os mortais haveriam de querer toca-lo, como quem espera tocar as imagens sacras, em pura contrição. Mas a sua modéstia absoluta, absolutíssima, o fez abdicar da autoridade dinástica contido no nome Cláudio César Temóteo Galvino para ser apenas Perebo, denominação que logo nos remete à idéia de um mendigo roto, imundo, desses que andam cambaleantes com o corpo todo coberto de úlceras e que têm na ferido da perna uma gangrena da cor de orquídea. Com seu nome de berço, pertenceria à genealogia dos césares e pisaria o mármore de palácios nababescos, em cujas paredes se amontoariam quadros de Picasso, Goya, Monet e Gauguin. No entanto, por uma opção franciscana, ele se contenta, de forma radiante, em ser um escravo consentido, um suburbano vassalo, um obscuro pé-rapado que todas as manhãs ao acordar tem de entrar na fila do banheiro coletivo. Se tivesse conservado a pompa inerente ao seu nome histórico, viveria num labirinto de tapetes e espelhos, em meio a uma grandiosidade miguelangelesca, e teria, ao seu dispor, uma carruagem esplendorosa, puxada por quatro cavalos de plumas negras. Porém, destituído de toda e qualquer ambição, o máximo de onipotência que ele consegue é, com uma euforia absurda e terrível, andar de bicicleta. Para a sua autoflagelação, tomar um ônibus e viajar em pé, pendurado numa argola, seria um luxo perdulário. Por isso é que, quando não pode, por algum motivo, pedalar, dispõe-se a fazer caminhadas homéricas, com um par de sandálias severas e tristes, a exibir toda a fauna, toda a flora dos seus calos esplêndidos. Mesmo com um calor homicida, em pleno meio dia, sob um sol de rachar catedrais, um sol de derreter os obeliscos, ele se prontifica a caminhar, a caminhar, com se sempre tivesse um compromisso inadiável ou como se cumprisse uma aprazível penitência. Quem se dispuser a espera-lo à porta da biblioteca onde ele trabalha poderá surpreende-lo ainda ofegante, com a testa alagada de suor, um suor grosso, como óleo, uma espécie de gosma, de espuma elástica como o suor dos cavalos cansados. E o mais inacreditável é que, mesmo assim, exangue, de olho rútilo e lábio trêmulo, suando torrencialmente após ter percorrido um caminho quase interminável, ele é capaz de dispensar o balão de oxigênio e de estufar o peito para se dedicar ao trabalho com a voracidade de um Drácula. Sim, sua disposição para lidar com os livros que cataloga e classifica não sugere outra coisa senão a obsessão de um vampiro por veias protuberantes e efervescentes de sangue. Qualquer espécie de trabalho em Biblioteconomia desperta nele uma adesão imediata, taxativa. Com os acervos bibliográficos sua relação é aconchegante e, eu diria mesmo, voluptuosa. Para ele, fichários e catálogos funcionam como energéticos excitantes ou insuperáveis afrodisíacos. O simples fato de poder manuseá-los provoca-lhe uma salivação intensa. Sempre que eu o vejo, de cara lasciva e astuta, molhar de saliva o dedo indicador para passar as páginas de um livro tenho a insofismável impressão de que ele faz, com requinte e deleite, um leve toque ginecológico. Entretanto, terminado o expediente na biblioteca, evapora-se toda a sua volúpia e ele volta às suas cavas depressões, perdendo toda a fé em si mesmo, como se padecesse das mais hediondas humilhações. Abrem-se, então, no seu coração imensas e lívidas sibérias, ele se torna um ser infeliz, vazio, sem voluptuosidade, um soturno pobre-diabo marcado pelas frustações. Tranca-se em casa a sete chaves e ao redor instala um deserto. Não quer ver ninguém, não quer ser visto, não que ouvir nem ser ouvido. Fica invisível, inaudível, espectral. Desaparece como se jamais tivesse existido. Chega até a ser meio alucinatório. Se, por exemplo, um amigo lhe telefona, ele atende mas logo se apressa em informar: eu não estou. E desliga. Eu, sinceramente, não vejo nesta atitude nenhuma má-fé, nenhum cinismo ou grosseiria. Não, nunca. É que, em crise, ele mesmo passa a acreditar na sua ausência, ou seja, ele próprio se convence de que não existe. Sua ausência tem, portanto, a densidade da morte. Alguém poderá dizer: é natural que ele, sendo ainda jovem, seja também problemático. Concordo. Se um jovem não é problemático, estejamos certos: trata-se de um débil mental que deve ser amarrado num pé de mesa. Temos de dar graças a Deus que a nossa juventude tenha uma angústia ou uma tensão dionisíaca, sei lá, mas nem tanto, nem tanto. O problema é que o Cláudio faz do seu drama um hábito. E o cidadão que padece todos os dias, acaba se afeiçoando ao próprio martírio ou mais do que isso: o martírio torna-se insubstituível como um vício funesto. Os seus amigos procuram uma explicação para essa sua sagrada e inalienável necessidade de sofrer. Alguns acreditam que nessas ocasiões ele chora lágrimas de esguicho porque não pode passar um noite sem ter uma paixão avassaladora. Outros imaginam que na solidão, incomunicável, ele se disponha a evocar o passado na vã tentativa de fazer com que a memória potencialize todas as suas experiências de vida. Pressupõem que no seu exílio voluntário ele mergulhe em sua infância de menino triste que perdeu a mãe e sofreu na carne a dor de, mesmo na orfandade, continuar vivendo. Eu, entretanto, não creio que a sua mortificação advenha de um desses movimentos proustianos, de um desses processos regressivos que fazem emergir figuras espectrais das cavernas da alma. Para mim, ele tem esses rompantes de uma melancolia insuportável e sinistra quando adquire a salubérrrima consciência de que Perebo é um falso nome, que nada tem haver com a sua identidade profunda. Seu sofrimento, então, se agiganta e a culpa o domina por ele saber que, se prefere ser chamado assim, por esse nome de pobre nato e hereditário, é porque a sua pobreza é vocacional e irremediável. Eu, se pudesse, o faria entender que já existe no Brasil uma satisfatória abundância numérica de pobres. Não precisamos de mais um. O que interesssa ao Brasil, inversamente, é a multiplicação dos ricos. E o nosso Cláudio tem, desde a pia bastismal, essa predestinação para ser, na pior da hipóteses, um soberano absolutista, com um harém de trinta e cinco odaliscas, a desfrutar do esplendor das mil e uma noites. O sujeito que recebe, de graça, o nome de Cláudio César Temóteo Galvino não nasceu para ser súdito mas sim para exibir luminosas medalhas no peito e ter na mão o centro de um rei shakespereano. Se insiste em ser um mísero vassalo é por uma intrínseca vocação. Porém, no dia em que ele entender que essa vocação pode não ser inexorável e resolver assumir, de uma vez por todas, a premonição heráldica do seu nome, haverá de subitamente ressuscitar como um lázaro da miséria para reencontrar-se consigo mesmo e com o seu inefável e prodigioso destino.
Nelson Rodrigues por Ricardo Guilherme
Dezembro/2002
Muito interessante, beijos.
ResponderExcluirRegina Gonçalves BC/UFPB