segunda-feira, 6 de maio de 2013

A DIVINA LOUCURA DIONISÍACA DE CADA DIA


O que é a loucura? Quem é louco? Quem diz quem é louco? E o louco, acha que é louco? Sempre fui denominado, chamado de louco. Porquê? Só porque fazia o que quase ninguém fazia, só porque fazia o que quase ninguém tinha coragem de fazer. Dançar a qualquer tempo e a qualquer hora, fazendo chuva ou fazendo sol. Não bebia nem fumava. E quem bebe e fuma, não deveria ser chamado de louco? Não. Ele sabe o que está fazendo. Será? Sempre quis ser louco. Porquê? O louco parece ser livre. Ele parece viver, diferente da gente que só sobrevive. Para o louco tudo é possível, a qualquer tempo, a qualquer hora. Ele não medo de viver. Simplesmente vive. Será que sente dor? Sente frio? Deveras sim. Só não fica se lamentando, reclamando pois sai do sofrimento e vai viver. Mesmo sofrendo. É uma espécie de liberdade. Não estou falando do louco com problemas mentais. Estou falando do louco come idéias mentais. Aquele que cria. Aquele que se reinventa. Aquele que tira da falta o que lhe falta. Ser louco nesse mundo que enlouquece a pessoa que não é louco, é preciso não enlouquecer, mas sim ser louco para recriar a vida. Viver e não ter a vergonha de ser feliz...(Gonzaguinha) amar é ser louco. Desejar é ser louco. Solidarizar é ser louco. Fazer é ser louco. Construir de forma diferente é ser louco. Ser original é ser louco. Falar de modo diferente é ser louco. Quem não é louco, é o que? Não é nada. Nada faz. Nada vê. Nada ouve. Escuta apenas. Os sons são linguagens que precisam ser decodificadas. A natureza tem informações que precisam ser decodificadas. O nosso corpo fala coisas que precisam ser decodificadas. O outro emite vibrações que precisam ser decodificadas. Dizem que sou louco por pensar assim... se eu posso pensar que Deus sou eu... sim sou muito louco, não vou me curar. Já não sou o único que encontrou a paz. Mais louco é quem me diz e não é feliz... eu sou feliz (Arnaldo Batista/Rita Lee). Primeiro eu nasci (que loucura!). Depois dancei vários ritmos. Foi ai que começou minha loucura. Carimbó, forró, discoteca... mas os loucos sofrem bulling constantemente. NÃO! Você não pode dançar assim se rebolando. Você é HOMEM. Eu era menino aprendendo a se equilibrar sobre duas pernas e um mundo de gente dizendo ao mesmo tempo o que certo e o que é errado, o que é mentira e o que é verdade. Mas todos mentem! E ainda dizem que é para o meu próprio bem. Por isso que os adolescentes são rebeldes. Os adultos enlouquecem a criança que tenta se libertar com o apoio dos hormônios da puberdade. EU QUERO PENSAR POR MIM MESMO! EU QUERO SER EU! Quem consegue parar e pensar que desse jeito não vai ser louco e sim enlouquecer passa para a próxima fase. Entre tapas e beijos, entre mortos e salvos, estou aqui escrevendo a minha doce loucura. Por fim veio o Teatro, local dos loucos dionisíacos. Vários anos e vários amigos na mesma tribo que cultua a loucura como forma de cura para não enlouquecer. Não é terapia. É remédio mesmo. Remédio para o espírito e para o corpo. Comemos e bebemos a divina loucura que nos cura do veneno de cada dia.

2 comentários:

  1. Quem quiser ler mais sobre o assunto existe um livro chamado ELOGIO A LOUCURA, de Erasmo de Roterdã.

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  2. Muito bom, Claudio! E viva a loucura!!!
    Bjao!

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